No dia 10 de março, fãs de videogame e automobilismo celebram o Dia do Mario. A data surgiu de forma curiosa: escrita como MAR10, ela lembra a grafia do nome “Mario”, personagem icônico da Nintendo e protagonista da famosa franquia de corridas dos videogames.
Com o tempo, a brincadeira ganhou força entre fãs e comunidades de games, tornando-se uma data simbólica para celebrar o universo do encanador mais famoso dos jogos, e de suas corridas cheias de velocidade e disputas caóticas.
Mas há quem tenha levado essa inspiração para muito além dos videogames. Na cidade de Encantado (RS) vive Eduardo Maynard, de 47 anos. Casado há 14 anos e pai de dois filhos, de 6 e 13 anos, ele conversou com o blog da PneuStore sobre a paixão pelo automobilismo em um projeto inusitado: pilotar um kart de alta performance vestido como o personagem Mario em eventos automotivos.

A ideia que nasceu observando os track days
Antes de se tornar conhecido nas redes sociais e em eventos automotivos, Eduardo levava uma rotina bem diferente. Ele trabalhava como representante comercial em uma indústria de cosméticos em Porto Alegre. Mesmo sem atuar diretamente no setor automotivo, o interesse por velocidade sempre esteve presente.
“Meu plano sempre foi conseguir viver de alguma coisa ligada ao automobilismo, de alguma forma ganhar dinheiro com isso”, conta.
A virada começou quando ele passou a frequentar eventos conhecidos como track days, encontros realizados em autódromos nos quais motoristas podem levar seus carros para pilotar na pista em um ambiente controlado, sem o formato competitivo de uma corrida oficial.

Observando os carros preparados que participavam desses eventos, Eduardo percebeu que entrar nesse universo exigia um investimento muito alto.
“Eu via o pessoal andando nos track days com carros preparados e pensava: não tenho dinheiro para manter um carro desses. Tem mecânico, guincho, plataforma, é muita coisa envolvida.”
Foi então que um vídeo na internet mudou completamente a direção do projeto.
“Eu vi um vídeo de um pessoal subindo montanha, com motor de moto de 600 cilindradas. Na hora eu pensei: isso é emocionante… e isso eu consigo montar.”
Construindo um kart de alta performance
A partir dessa ideia, Eduardo começou a construir o próprio veículo. O projeto começou de forma simples: um chassi, um motor encontrado em ferro-velho e muitas adaptações feitas aos poucos.
Com o tempo, o projeto evoluiu e ganhou acabamento e estrutura mais profissional.
“Quando coloquei a carenagem e finalizei a pintura, consegui legalizar o kart para ter placa e andar na rua. A partir daí comecei a participar de vários eventos.”
A legalização abriu portas para diferentes tipos de competições e encontros automotivos.
“Depois que ele teve documento, comecei a andar em track days, hot laps e até eventos de arrancada.”
Percebendo o potencial do projeto, Eduardo decidiu investir cada vez mais no kart.
“Eu vi que era um negócio muito divertido, usava bastante e gastava relativamente pouco. Então resolvi investir.”
Ao longo de 14 anos, ele estima ter investido cerca de R$ 450 mil no desenvolvimento do veículo. Mesmo assim, afirma que o custo ainda é menor do que manter um carro de corrida tradicional.
“O kart tem um custo-benefício muito bom. Eu não preciso de equipe, funcionário ou guincho. Eu mesmo coloco ele na carreta e levo para os eventos.”
Um kart que chama atenção até entre supercarros
Nos encontros automotivos, o kart acabou se tornando uma das maiores atrações mesmo quando está ao lado de carros extremamente caros.
“Kart é uma coisa que quase ninguém tem. Ele acaba viralizando porque é diferente. Às vezes tem Ferrari, Porsche, Lamborghini no evento… e ele anda na frente.”
A presença do veículo também costuma gerar surpresa.


“Muita gente pergunta como eu estou ali no meio. Aí a organização explica que ele tem placa, documento e paga IPVA igual a qualquer carro.”
Para rodar nas ruas, o veículo precisou seguir todas as exigências de segurança e sinalização.
“O mais impressionante é que ele tem tudo: farol, sinaleira, pisca, luz de placa, limpador de para-brisa, buzina… tudo o que um carro precisa ter.”
A virada de chave: virar o “Mario Kart brasileiro”
Mesmo com o sucesso nos eventos, o crescimento da popularidade nas redes sociais veio após a sugestão de um seguidor para que Eduardo utilizasse uma fantasia do personagem Mario.
A ideia parecia apenas uma brincadeira, mas acabou mudando a forma como o projeto era visto.
“Quando comecei a andar fantasiado de Mario, os vídeos viralizaram muito mais.”

Além da repercussão online, o personagem trouxe um público diferente para os autódromos.
“Isso atraiu um público que normalmente não vai para esses eventos: mães e filhos.”
Potência de moto e desempenho impressionante
Outro ponto que costuma gerar curiosidade é a potência do kart. Muitas pessoas acreditam que ele tenha mil cavalos de potência, mas isso é um equívoco comum.
“Na verdade ele tem 1000 cilindradas, não mil cavalos. O motor gera cerca de 180 cavalos e com o nitro chega a 240.”
A confusão acontece porque muitos interpretam errado as especificações técnicas.
“Quando está escrito 1000 CCE, muita gente acha que são mil cavalos.”
O motor usado no projeto vem de uma motocicleta esportiva bastante conhecida: o motor da CBR 1000 RR Fireblade, da Honda.
A diferença entre os termos também ajuda a entender o equívoco. Enquanto a cilindrada indica o volume do motor, os cavalos de potência representam a força que ele consegue gerar.
Ficha técnica do kart
- Velocidade máxima: 250 km/h
- Potência: 240 cavalos
- Peso: 450 kg abastecido
- 0 a 100km/h: 3.1 segundos
- Motor atual: derivado da Honda CBR 1000RR Fireblade
- Arrancada (0–201 m): 7 segundos
- Arrancada (0–402 m): 11,3 segundos
Curiosamente, apesar de ter se tornado o “Mario Kart brasileiro”, Eduardo não é um grande fã de videogames. Segundo ele, a preferência sempre foi por atividades ao ar livre.
Enquanto milhões de pessoas aceleram nas pistas virtuais, a corrida dele acontece fora das telas, nos autódromos e estradas por onde leva seu kart.
