Dia Internacional da Mulher: elas não pedem carona, elas criam o caminho

Tempo de Leitura: 4 minutos

O universo automotivo ainda é amplamente associado ao público masculino. No entanto, cada vez mais mulheres ocupam espaço nesse mercado, seja dirigindo caminhões, restaurando carros antigos ou liderando projetos de aventura off-road.

No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o blog da PneuStore conversou com três mulheres que vivem intensamente esse universo.

Entre caminhões, oficinas e trilhas off-road, elas compartilham experiências sobre desafios, preconceitos e conquistas em um setor que ainda busca maior igualdade.

Da boleia do caminhão para as redes sociais

No Espírito Santo, a caminhoneira Anailê Santos Goulart transporta contêineres entre o Porto de Vila Velha e destinos próximos. A entrevista acontece dentro do próprio caminhão, de onde ela costuma registrar parte da rotina.

Há uns 11, 12 anos foi quando eu comecei a trabalhar com caminhão. Meu marido já era caminhoneiro. Foi ele que me ensinou e que me colocou nesse meio. A gente começou a trabalhar junto e deu super certo, graças a Deus”, conta.

Mãe de três filhos, ela passou a compartilhar a rotina nas redes sociais após um comentário que questionava sua profissão.

Comecei porque um homem duvidou que eu dirigisse caminhão. Aí eu fiz um vídeo ensinando a passar as marchas”, lembra.

Mesmo produzindo conteúdo há anos, os comentários machistas como “vai pilotar fogão” ainda aparecem.

Para Anailê, a independência financeira é um ponto essencial para a autonomia feminina.

Por isso que a mulher tem que trabalhar, correr atrás. Muitas deixam de trabalhar e acabam ficando dependentes de um homem que quer mandar em tudo.”

Mulheres também transformam oficinas e projetos automotivos

A mineira Daiane Pimenta cresceu cercada por ferramentas e motores. Filha de mecânico, hoje ela trabalha restaurando carros antigos e produzindo conteúdo sobre o tema nas redes sociais.

Eu já nasci amando o mundo automotivo. Não foi algo que eu aprendi depois, eu já gostava desde sempre.”

A decisão de compartilhar os projetos nas redes surgiu quando decidiu reformar o próprio carro.

“Meu namorado tem um canal no YouTube onde constrói carros. Eu tinha um Palio vermelho 2008 que merecia uma reforma. Postei e o vídeo bombou. Depois disso, não parei mais.”

Apesar da popularidade crescente, Dai também enfrentou resistência, principalmente no início. Mas conta que, com o tempo, os comentários foram diminuindo.

Mesmo assim, ela ainda enfrenta preconceito fora da internet, principalmente ao negociar carros para restauração.

“Já ouvi que não queriam vender para mulher, porque se eles não conseguiram reformar, uma mulher também não conseguiria.”

Off-road, planejamento e segurança

A empresária Katharina Brazil, de São Paulo, transformou a paixão por carros e aventuras em um projeto de vida. Antes disso, trabalhou por mais de duas décadas no setor de petróleo.

“Eu passei 23 anos em plataforma petroleira, muitas vezes sendo a única mulher no ambiente.”

A empresária também relembra que enfrentou a desigualdade salarial ao longo da carreira e que chegou a ganhar 30% a menos do que um gerente homem.

Hoje, Katharina se dedica a viagens off-road e projetos automotivos. Um deles foi a preparação de um Jeep Compass para trilhas e expedições. Segundo ela, o projeto também gerou críticas no início.

“Sempre aparecia alguém dizendo que eu tinha dinheiro sobrando, que devia ter sido presente do marido ou que mulher não sabia nem subir a rampa do shopping.”

Mesmo acostumada a viajar sozinha, ela explica que o planejamento e a segurança são essenciais. Entre os cuidados, ela evita viagens noturnas em determinadas regiões.

Eu sei que morando no Brasil e sendo mulher existem situações que eu preciso evitar. Dirigir à noite ou abastecer em posto de gasolina após às 18h são algumas delas.”

Além das aventuras, Katharina também atua como socorrista e resgatista, habilidade que já colocou em prática durante suas expedições.

A luta pela sobrevivência das mulheres no Brasil

Durante as entrevistas, outro tema apareceu com frequência: a importância de reconhecer sinais de relacionamentos abusivos, agressões verbais e até situações que podem colocar em risco a própria vida das mulheres.

Para Daiane, a informação é fundamental para prevenir situações mais graves.

“As notícias sobre feminicídio são assustadoras. A gente precisa aprender a reconhecer o primeiro gatilho e sair antes que a situação piore.”

Katharina também reforça a importância da valorização pessoal.

“A mulher precisa aprender a se valorizar. Quando percebe sinais de agressividade logo no início de um relacionamento, o melhor é dar um passo atrás.”

Uma data para lembrar conquistas e desafios

Para as três entrevistadas, o Dia Internacional da Mulher representa mais do que uma data comemorativa. Anailê acredita que o dia simboliza independência.

A gente lutou muito para conquistar espaço. Então precisamos aproveitar isso e não depender de ninguém.”

Dai Pimenta reforça que a valorização feminina deve ser constante.

“O Dia das Mulheres é todos os dias. Pode até parecer clichê, mas é verdade. A nossa capacidade de dar conta de tudo precisa ser homenageada diariamente.”

Já Katharina acredita que a transformação começa na educação.

“Precisamos ensinar desde cedo que meninas têm os mesmos direitos que os meninos.”

Como denunciar casos de violência contra a mulher

Caso você presencie alguma situação em que uma mulher possa estar em perigo, acione imediatamente os serviços de emergência pelos números 190, da Polícia Militar, 181, da Polícia Civil, ou pelo 180, que é a Central de Atendimento à Mulher.

A denúncia pode ser feita de forma anônima. O mais importante é relatar a situação com clareza e informar os detalhes disponíveis. Em muitos casos, uma simples ligação pode ser fundamental para salvar uma vida.

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