“Mario Kart brasileiro”: gaúcho transforma kart customizado em fenômeno nos autódromos

Tempo de Leitura: 5 minutos

No dia 10 de março, fãs de videogame e automobilismo celebram o Dia do Mario. A data surgiu de forma curiosa: escrita como MAR10, ela lembra a grafia do nome “Mario”, personagem icônico da Nintendo e protagonista da famosa franquia de corridas dos videogames.

Com o tempo, a brincadeira ganhou força entre fãs e comunidades de games, tornando-se uma data simbólica para celebrar o universo do encanador mais famoso dos jogos, e de suas corridas cheias de velocidade e disputas caóticas.

Mas há quem tenha levado essa inspiração para muito além dos videogames. Na cidade de Encantado (RS) vive Eduardo Maynard, de 47 anos. Casado há 14 anos e pai de dois filhos, de 6 e 13 anos, ele conversou com o blog da PneuStore sobre a paixão pelo automobilismo em um projeto inusitado: pilotar um kart de alta performance vestido como o personagem Mario em eventos automotivos.

A ideia que nasceu observando os track days

Antes de se tornar conhecido nas redes sociais e em eventos automotivos, Eduardo levava uma rotina bem diferente. Ele trabalhava como representante comercial em uma indústria de cosméticos em Porto Alegre. Mesmo sem atuar diretamente no setor automotivo, o interesse por velocidade sempre esteve presente.

“Meu plano sempre foi conseguir viver de alguma coisa ligada ao automobilismo, de alguma forma ganhar dinheiro com isso”, conta.

A virada começou quando ele passou a frequentar eventos conhecidos como track days, encontros realizados em autódromos nos quais motoristas podem levar seus carros para pilotar na pista em um ambiente controlado, sem o formato competitivo de uma corrida oficial.

Observando os carros preparados que participavam desses eventos, Eduardo percebeu que entrar nesse universo exigia um investimento muito alto.

“Eu via o pessoal andando nos track days com carros preparados e pensava: não tenho dinheiro para manter um carro desses. Tem mecânico, guincho, plataforma, é muita coisa envolvida.”

Foi então que um vídeo na internet mudou completamente a direção do projeto.

“Eu vi um vídeo de um pessoal subindo montanha, com motor de moto de 600 cilindradas. Na hora eu pensei: isso é emocionante… e isso eu consigo montar.”

Construindo um kart de alta performance

A partir dessa ideia, Eduardo começou a construir o próprio veículo. O projeto começou de forma simples: um chassi, um motor encontrado em ferro-velho e muitas adaptações feitas aos poucos.

Com o tempo, o projeto evoluiu e ganhou acabamento e estrutura mais profissional.


“Quando coloquei a carenagem e finalizei a pintura, consegui legalizar o kart para ter placa e andar na rua. A partir daí comecei a participar de vários eventos.”

A legalização abriu portas para diferentes tipos de competições e encontros automotivos.

“Depois que ele teve documento, comecei a andar em track days, hot laps e até eventos de arrancada.”

Percebendo o potencial do projeto, Eduardo decidiu investir cada vez mais no kart.

“Eu vi que era um negócio muito divertido, usava bastante e gastava relativamente pouco. Então resolvi investir.”

Ao longo de 14 anos, ele estima ter investido cerca de R$ 450 mil no desenvolvimento do veículo. Mesmo assim, afirma que o custo ainda é menor do que manter um carro de corrida tradicional.

“O kart tem um custo-benefício muito bom. Eu não preciso de equipe, funcionário ou guincho. Eu mesmo coloco ele na carreta e levo para os eventos.”

Um kart que chama atenção até entre supercarros

Nos encontros automotivos, o kart acabou se tornando uma das maiores atrações mesmo quando está ao lado de carros extremamente caros.

“Kart é uma coisa que quase ninguém tem. Ele acaba viralizando porque é diferente. Às vezes tem Ferrari, Porsche, Lamborghini no evento… e ele anda na frente.”

A presença do veículo também costuma gerar surpresa.

“Muita gente pergunta como eu estou ali no meio. Aí a organização explica que ele tem placa, documento e paga IPVA igual a qualquer carro.”

Para rodar nas ruas, o veículo precisou seguir todas as exigências de segurança e sinalização.

“O mais impressionante é que ele tem tudo: farol, sinaleira, pisca, luz de placa, limpador de para-brisa, buzina… tudo o que um carro precisa ter.”

A virada de chave: virar o “Mario Kart brasileiro”

Mesmo com o sucesso nos eventos, o crescimento da popularidade nas redes sociais veio após a sugestão de um seguidor para que Eduardo utilizasse uma fantasia do personagem Mario.

A ideia parecia apenas uma brincadeira, mas acabou mudando a forma como o projeto era visto.

“Quando comecei a andar fantasiado de Mario, os vídeos viralizaram muito mais.”

Além da repercussão online, o personagem trouxe um público diferente para os autódromos.

“Isso atraiu um público que normalmente não vai para esses eventos: mães e filhos.”

Potência de moto e desempenho impressionante

Outro ponto que costuma gerar curiosidade é a potência do kart. Muitas pessoas acreditam que ele tenha mil cavalos de potência, mas isso é um equívoco comum.

“Na verdade ele tem 1000 cilindradas, não mil cavalos. O motor gera cerca de 180 cavalos e com o nitro chega a 240.”

A confusão acontece porque muitos interpretam errado as especificações técnicas.

“Quando está escrito 1000 CCE, muita gente acha que são mil cavalos.”

O motor usado no projeto vem de uma motocicleta esportiva bastante conhecida: o motor da CBR 1000 RR Fireblade, da Honda.

A diferença entre os termos também ajuda a entender o equívoco. Enquanto a cilindrada indica o volume do motor, os cavalos de potência representam a força que ele consegue gerar.

Ficha técnica do kart

  • Velocidade máxima: 250 km/h
  • Potência: 240 cavalos
  • Peso: 450 kg abastecido
  • 0 a 100km/h: 3.1 segundos
  • Motor atual: derivado da Honda CBR 1000RR Fireblade
  • Arrancada (0–201 m): 7 segundos
  • Arrancada (0–402 m): 11,3 segundos

Curiosamente, apesar de ter se tornado o “Mario Kart brasileiro”, Eduardo não é um grande fã de videogames. Segundo ele, a preferência sempre foi por atividades ao ar livre.

Enquanto milhões de pessoas aceleram nas pistas virtuais, a corrida dele acontece fora das telas, nos autódromos e estradas por onde leva seu kart.

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